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27 de jan de 2012

Livro

Há alguns países onde o mercado editorial faz o nosso parecer uma piada.


Um dos que mais ma impressiona é o Japão, com a sua peculiar cultura dos mangás e animes, dos quais também sou fã...


Assim surgem pérolas como esta edição aqui, só com ilustrações como esta de uma bici Pinarello...


23 de jan de 2012

Ciência dos materiais

Esta página reúne vídeos diversos sobre como são executados os mais diversos trabalhos nos mais diversos materiais.


 É vídeo para mais de semana:


http://bencollette.com/productbyprocess/

Eu sugiro os que forem relativos às bicis, como por exemplo este (quadros), este (aros) ou este aqui, sobre o complicado sistema de tubos "exogrid" da Holland cycles

Manufatura das peças de carbono

Adoro vídeos sobre processos produtivos. Mais até do que a parte de projeto e concepção. Eu fico hipnotizado com este tipo de vídeo:




A parte que mais me admira é que, apesar da tecnologia empregada na trançagem do tecido, nada disso teria utilidade se não fossem as mãos habilidosas dos operários.


...imagina se o carinha da "costura" se distrai e coça o nariz...o que acontece com a integridade da peça?

5 de jan de 2012

Mona, a Monareta



Lá nos fins dos 70' , início dos 80' do século passado, bom mesmo, em sendo criança, era possuir uma Monareta. Esta bici foi, provavelmente, o maior sucesso de vendas da marca Monark em todos os tempos, no Brasil. Mesmo a poderosa Caloi não conseguia fazer concorrência, ao menos na popularidade entre a garotada, com o seu modelo equivalente - a Berlineta.

As muitas versões da Monareta foram se aprimorando ao longo dos anos, tantos que nem sei quando esta bici teve seu início de carreira. Esta que apresento e que adquiri no interior do estado do RS, data de 1984. Não foi o último modelo produzido - me consta que a bici foi produzida até '87, mas não tenho certeza.

Hoje tenho a maturidade para avaliar este belo sucesso da indústria ciclística nacional, e perceber como a indústria erra muitas vezes, baseando-se em avaliações errôneas sobre as reais necessidades do público consumidor.


O advento das BMX  nesta mesma época (80') só terminou de escrever o epitáfio na sepultura da Monareta e de tantas ótimas bicicletas para o público infantil e juvenil que utilizavam uma mecânica mais simples. Junto com a Monareta foram embora os freios contra pedal, o pneu aro 20" liso, os cromados... a moda agora eram as "cross", apresentadas ao mundo no filme do E.T.


Infelizmente, para muitas crianças, isso representou uma maior dificuldade em se aprender a pedalar. Primeiro por causa dos preços elevados dos novos modelos. Mas creio numa teoria e  não custa expô-la.


Acredito que os freios que passaram a equipar preferencialmente todos os modelos de bicis para o público infantil, tipo ferradura num primeiro momento e os cantilever e afins, mais recentemente, simplesmente não poderiam equipar as bicicletas infantis.


Isso por que, acredito, a fisiologia óssea e muscular das crianças entre 3 e 5 anos de idade - a idade que considero ideal para se aprender a pedalar; simplesmente não se adequa  a estes modelos de freios. As mãos são pequenas e fracas, não conseguindo, às vezes, alcançar a manete do freio. Outras vezes, a força dos dedos é insuficiente para parar ou reduzir a velocidade da bici. 
Diferente do freio contra pedal, onde se aplica a força das coxas nos próprios pedais - bastando então que a criança alcance os pés nos mesmos. Mesmo para uma criança pequena, esta força é mais que suficiente para a frenagem.


Então, o resultado da mudança do enfoque da indústria ciclística teve um resultado inverso, na minha opinião. Ao gerar modelos desconfortáveis para as crianças, resultou gerações de adolescentes e jovens e adultos desinteressados em bicicletas, uma vez que andar numa delas, quando criança, era uma atividade insegura e menos divertida.


Enfim, não se vê muitas destas rodando por aí, apesar que deve haver muitas jogadas em qualquer canto.


"No estado...original"
Desconheço a autoria do projeto da Monareta, mas posso afirmar que a pessoa - provavelmente algum engenheiro ou desenhista ou até mecânico de chão de fábrica mais qualificado, era também um ótimo designer
Eu entendo o design como a união das idéias estéticas com as idéias produtivas - recursos, insumos, desenvolvimento tecnológico, maturidade produtiva, entre outros fatores.


O design da Monareta é vagamente inspirado no da Raleigh 20", com a diferença que esta bici tinha, ao contrário da designação "juvenil / infantil" da Monareta, uma inclinação fortemente urbana. Neste sentido, o do design, a monareta demonstra um apurado cérebro por detrás do projeto:

- A concepção do quadro beira o genial. Este é formado por dois grandes "grupos" de subestruturas, a traseira, contando com a garupa e gancheiras, e a dianteira, sendo formada pela união de um tubo curvado único que compõe o tubo vertical / canote, e um tubo horizontal, por assim dizer - unidos ao tubo da caixa de direção - esta parte dianteira é feita de tubos de mesmo diâmetro, apenas conformados diferenciadamente. Tudo soldado sem necessidade de muita precisão...


Dianteira da bici: todos os tubos tem a mesma seção


Estas duas subestrutras são unidas, finalmente, pela peça da caixa do movimento central. Esta é feita por duas chapas massivas conformadas, soldadas entre si e depois ao conjunto dianteiro. O modo como elas são unidas cobre todas as chances de erro possíveis, ou seja, se há erros nas medidas dos tubos, estes são "aparados" na hora da junção na caixa central... tudo concordante com o nível de desenvovlimento da mão de obra, instrumental e materiais disponíveis naqueles tempos. Uma visão diametralmente oposta a composição precisa exigida pelas bicicletas de quadro tipo diamante, onde a precisão das medidas dos tubos é essencial a obtenção de um ótimo resultado final.



A caixa de centro, acima solda-se a estrutura dianteira ou principal; abaixo  a garupeira - que depois une-se ao tubo do canote. Aqui, provavelmente, corrigiam-se todas as possíveis imperfeições da produção do quadro. Ao mover as peças horizontalmente, ganha-se uma margem de uns 5mm de flexibilidade - mais que suficiente para qualquer correção.

Vista geral - adoro a curvatura deste guidão!
Para completar, os componentes eram os mais simples disponíveis e todos de muito fácil manutenção;  tudo em aço e o único "luxo" por assim dizer, era o fato de algumas peças serem  cromadas. Plásticos, apenas as luvas. Esta era uma tecnologia ainda emergente no país - a dos plásticos... O resultado era uma bici bastante duradoura.

Marca & data do modelo




A ferrugem é superficial e não compromete a estrutura

Pronta para uso, após uma rápida guaribada - nem poli os cromados

Tenho que trocar esta blocagem ridícula no selim...


Depois de uns poucos e rápidos reparos na lataria e uma lubrificada e limpeza gerais, fui dar uma rodada e relembrar a infância. Nada como aquele banco com a mola que regula a sua velocidade!!! 
Sim, a mola do banco limita a sua velocidade pois a mesma admite apenas uma certa trepidação e ondulação. Acima de uma certa velocidade, a mola flexiona e ondula tanto que passa a te jogar para fora da bici!!! Pura diversão!!! 


É uma bici para se passear, sem o compromisso de  performance, enfim, uma delícia! Puro estilo...