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21 de jun de 2011

O Conforto e a bicicleta

Há algumas mistificações em torno de porque há tão pouca gente rodando de bici, sendo que é barato, saudável, ambientalmente correto, etc, etc, etc. Vou colocar um pouco do que penso sobre um dos fatores que provavelmente influa no desejo das pessoas em utilizarem as bicis.


Muita gente, colegas de trabalho, amigos, me pergunta (sobre pedalar ao trabalho) "Como é???" O que respondo é:

"É muito bom, mas não faça por que eu faço"

A verdade é que muitos acham legal que outras pessoas consigam levar suas vidas e rotinas de maneiras diferentes, mas daí a adaptarem as SUAS rotinas aos modelos de outros...vai uma geração!!!

Muitas das pessoas que falam comigo até gostariam de pedalar, provavelmente por que já o fizeram em algum momento anterior nas suas vidas e isso foi bom.

O primeiro passo para se pedalar, em todos os sentido, é gostar de pedalar. Não recomendo pedal (ao trabalho ou esportivamente) para gente que não pedala por gosto, nem que goste apenas de passear de bici, ou que procure uma opção de deslocamento mais em conta (sobre isso, obviamente, há camadas sociais da população que simplesmente não tem opção e, quer gostem ou não, pedalam). Mas, aceita-se voluntários que estejam dispostos a começar e curtir o pedal.

Outro fator importante tem a ver com quanto do seu conforto diário as pessoas estão dispostas a abrir mão. O fato é que o "progresso" da humanidade tem nos tornado cada vez mais tentados à preguiça e ao sedentarismo, pelas "facilidades" que a tecnologia vem proporcionando (sobre isso, no futuro quero desenvolver o assunto sobre as preocupações em torno do peso das bicicletas e sobre como a indústria se vale de um monte de falsos argumento para vender mais produtos), e nos últimos 100 anos este fator tecnológico revolucionou o modo como nos deslocamos geograficamente. Acrescenta-se a isso o tendência ao gigantismo das grandes cidades (e o inversamente proporcional investimento nos meios de transporte público, como vemos diariamente no noticiário) e a violência diária no trânsito e temos um perfeito "pacote anti bicicleta" em mãos.

Então, quando me perguntam especificamente sobre o quão confortável é pedalar, eu digo:

"Não, pedalar não é confortável"

Nunca vai ser - a não ser neste caso aqui. A pessoa que opta pela bici, de cara abre mão de uma grande parcela do seu conforto diário, caso o costume seja por deslocar-se de automóvel - no caso de deslocamento por ônibus, coloco praticamente como igual ao desconforto da bicicleta.


Pedalar já é um esforço físico em si. Pedalar num dado ritmo - o necessário para se manter minimamente no horário desejado, é mais esforçoso ainda. Pedalar esportivamente, é puro estresse físico, no sentido da tensão do corpo.


Uma bicicleta, por mais bem projetada no sentido do conforto, nunca terá o conforto do mais simples automóvel (OK, talvez algumas bicis tenham mais conforto do que um jipe willis...). Quem pedala entende e aceita isto e troca esta parcela de conforto pelo prazer de pedalar, por não ficar mais engarrafado no trânsito, por uma vida um pouco mais saudável, pelo exercício físico, por aquilo que for a sua justificativa.

Além do esforço de pedalar, há toda trepidação inerente à condução da bici, o esforço para se manter o controle e o equilíbrio, a atenção necessária com o trânsito (face à exposição à qual o ciclista está sujeito - seu "air bag" é seu rosto, hehehe) e até o medo dos outros veículos. Tudo isso pode se tornar extremamente estressante / desconfortável e desestimulante para alguém sem experiência.


Claro, um cidadão europeu de primeira classe tem o piso maravilhoso, um verdadeiro veludo de asfalto, em ciclovias exclusivas e sinalizadas... beleza!!! Pode-se até rodar nos aros que não acontece nada ao seu corpo.


Porém, retornemos à dura, contundente e trepidante realidade das vias brasileiras, hehehe!! Considero que é impossível rodar 100% do tempo em asfalto durante um deslocamento rotineiro, então tem-se um piso misto - com calçamento de pedras, asfalto, buracos e ondulações; sobe e desce de calçadas, etc. Nestas condições se consegue desenvolver uns 20 a 25 Km/h de vel. máxima. Para um ciclista habilidoso - categoria na qual me incluo, isso já trás um tremendo estresse, especialmente os membros superiores e articulações. Para um ciclista eventual, isso é um verdadeiro martírio!!! E, pior, no caso do ciclista inábil, pode significar a perda do controle da bici e uma queda feia. Ou seja, o desconforto também pode se traduzir em risco à saúde e integridade física.

Mas, há alguns equívocos clássicos, como pensar que pedalar é menos confortável e cansa mais  do que caminhar, por exemplo. Na verdade, as pessoas acham que se a pessoa chega ao trabalho um pouco suada ou ofegante (nada anormal quando se pedal uns 7km - a uma média de 25 / 30km/h, no meu caso) se fez muito esforço. Nem se compara, a bici chega na frente e se faz muito menos esforço.


Enfim, para pedalar, as pessoas têm que estar cientes que você deixa um pouco de lado o conforto e a classe (é, tem dias que chego bem bagunçado no trabalho, hehehe!!!), mas tudo isso é superado pelo prazer e satisfação de estar fazendo algo de bom para si mesmo.

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