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10 de dez de 2010

Instalar Para Lamas - o modo customizado

Não dá para sobreviver na cidade sem para lamas... qualquer água que se encontra no caminho representa um desvio, uma redução de velocidade, senão sujeira e até insegurança.( só para citar , os buracos ocultos, hehehe). Nem vou comentar óleos, tinta e bosta de cavalo (Porto Alegre é a capital brasileira da carroças, tendo o maior índice deste tipo de veículo de tração animal a circular nas vias urbanas).

Contabilizo, também, o ganho em durabilidade dos componentes, pelo menor "arremesso" de sujeiras sobre a relação, freios, etc.

Obs.: considero aqui que as partículas de sujeira se dividem em dois critérios que tem a ver com a tendência de serem arremessadas pelos pneus ou ficarem aderidas a estes: a) peso  -  partículas leves e pesadas; e b) viscosidade,  viscosas ou grudentas e as "inertes" - sendo que o fator ÁGUA é determinante em ambos os casos.

Sendo assim, considerei que vinha perdendo um bom número de deslocamentos de pedal por causa de chuvas ocorridas, ou previstas... as quais deixariam as ruas apenas molhadas, o quem para mim significava deixar de rodar,  por todos os motivos citados - daí a decisão pelos para lamas.

Tristemente, a nossa indústria ciclísitica nacional beira o hilariante, tanto em termos dos modelos (de bicicletas para cidade) oferecidos pelas montadoras como os componentes e acessórios que se consegue encontrar à venda.

Por isso, o que se faz é torcer para encontrar algum modelo importado em promoção, de barbada (outra impossibilidade,  já que as lojas nacionais nunca fazem promoção!!!).

O outro caso, o meu, resume-se a comprar o que encontro e instalar tudo com um alto grau de customização, com ferramental próprio, parafusos próprios e adaptações específicas às minhas bicicletas.

Agora descrevo, na falta de fotografias, os procedimentos para se conseguir instalar decentemente um jogo de para lamas na minha bicicleta da cidade.



Passo 1 - Aquisição de materiais:

Só encontrei o modelo de para lama próximo do que gostaria numa bicicletaria bem simples no litoral do RS,  e lá também comprei os suportes ou varetas - pois, acreditem, não se encontra isso facilmente nas lojas da capital gaúcha. São para lamas de plástico, bem simples, pretos, sem desenhos ou textura e com uma largura razoável, nem estreitos  nem largos demais e com a curvatura adequada às rodas 26'. A partir daí, comprei numa loja especializada, todos os parafusos e porcas e outros pequenos acessórios que precisaria utilizar, pois estes não estavam inclusos no jogo de para lamas. Alguma coisa eu já possuía em casa mesmo, com decreverei a seguir. Não gastei mais que R$ 30,00 nestas compras.


Passo 2 - Preparação :

Isto é meio estranho, mas a primeira coisa que fiz foi adicionar aos para lamas, para barros!!!!! Bom, explicando, os para barros são aquela peça, como esta aqui, que fica nas extremidades dos para lamas e tem uma importância vital na eficiência do conjunto. São eles que amortecem e evitam que as partículas mais pesadas sejam direcionadas ao quadro ou até para cima (por conta da energia cinética adquirida pelo movimento rotacional das rodas...), em direção ao ciclista - imagine-se uma pequena pedra!!! Ou lama nos olhos, ou óleo nos olhos!!! Então, utilizando-se de uma peça de EVA que restara de um trabalho escolar de uma das minhas filhas, desenhei e recortei os meus para barros. É importante que o para barro seja mais largo do que o para lama, feito de material bem flexível e tenha uma certa espessura., o que melhora sua fixação. Já tive más experiências com radiografias usadas (flexível demais, leve demais, frágil demais), pedaços de garrafa pet (muito fino e duro). Materiais alternativos que podem servir: jeans ou lona de caminhão, câmara de pneu de caminhão ou carro.

Feitas as peças, fiz três furos para fixação (fig.3 e 6), a qual  fiz com rebites de alumínio.

Etapa seguinte, consegui fazer uma pré instalação para verificar um bom posicionamento dos componentes, evitando que raspassem nos pneus. Também aferi as distâncias das varetas e os comprimentos dos parafusos, onde teria que colocar espaçadores e com que tamanho, bem como a necessidade de outros acessórios a serem fixados nos para lamas, com os "L´s" que aparecem aqui nas figs. 1, 4 e 5.

Marquei todas as posições de furos a serem feitos para a fixação destas peças, furos feitos, peças fixadas. Nova montagem preliminar, desta vez para conferir a dimensão adequada às varetas. Para conseguir isto,  fiz com os pessoal costuma fazer por aí, ou seja, entortei as mesma até obter uma posição compatível. Eu poderia ter cortado as varetas, mas isso exigiria refazer completamente os "ilhóses" onde passam os parafusos, e eu não tinha certeza de me garantir nessa operação.

As dobras que deram mais trabalho foram as do conjunto dianteiro, (fig. 7) ô desgraceira!!! tive que fazer várias dobras para vencer o furo passante, a espessura do garfo e mais a posição da blocagem!!! ainda por cima, tive que reduzir o diâmetro da dobra de passagem dos parafusos, pois do modo como se paresentava, iria interferir na colocação da roda...puffff!!!  Nestas horas eu gostaria de ter gasto meu dinheiro num conjunto destes aqui!!!

passo 3 - instalação
Então consegui proceder a instalação. Dizer que se instala uma vez só é o mesmo que admitir que vai fazer errado. Quando a coisa é customizada, há um processo de coloca e tira, coloca e tira que por vezes parece infindável!!! Então, tudo com os parafusos principais (os que prendem as peças ao quadro e garfo - figs. 1, 4 e 5) fixados, mas sem o aperto final, consegui prender as varetas nos seus lugares no corpo dos para lamas. Nesta etapa, ao invés de rebites, usei parafusos com porcas auto travantes, pois alí haverá muita vibração, então quis me garantir que não teria que fazer uma revisão após uma semana de uso. Também coloquei arruelas entre a cabeça do parafuso e o plástico, para evitar o cisalhamento deste último por ação do metal + pressão do aperto (fig 6 e 8).

Passo 4 - regulagem final

Finalmente, tudo montado e apertos finais, chegou a hora de ver o que está ruim... Nesta etapa, o que fiz foi torcer as varetas um pouco para cá, um pouco para lá, com as mãos mesmo a fim de dar um ajuste mais fino.

No fim, está tudo OK, funcionando muito bem; não tive problemas a achei que a bici ainda ficou muito mais "charmosa"!

Fig. 1 Notar espaçador feito com rolha de vinho entre o "L" e o parafuso.
Evita vibrações e é de graça!!

Fig. 2 ajuste da curvatura, ficou bom...
Este bagagerio rende um outro post.


Fig. 3 Para barro dianteiro fixado com rebites



Fig. 4 O furo já existia, apenas dei-lhe uma melhor serventia!



Fig. 5 Só usei parafusos alem, 4mm. Junto ao quadro, sempre com arruelas.
Não pode haver interferência com os outros componente - neste caso os freios.



Fig. 6


Fig. 7 A vareta dianteira ficou que é um "esse", mas funciona direitinho



Fig. 8 Fixação com parafuso e porca auto travante.
Medir os espaços para os componentes é vital no sucesso da instalação

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